O mito do escritor em férias
Nas minhas andanças em busca por um livro "viajão", que aumentasse minha cultura para assuntos "cabeça" e impressionasse as pessoas cada vez que me perguntassem o que estou lendo, topei com "Mitologias", de Roland Barthes; autor conhecido por seus tratados de semiótica e pelas análises de fotografia que fez no tão conhecido dos alunos de comunicação social "A Câmara Clara".
O livro foi escrito entre 1954 e 1956 e publicado em 1957 e traz uma compliação de 43 pequenos textos, que tratam com profundidade assuntos como "Critica Muda e Cega", "Conjugais", "Os romanos e o cinema" e, pasmem, "Bife com Batatas Fritas"...
O que mais me chamou atenção foi o menorzinho, entitulado "O Escritor em Férias". O textículo assemelha a produção literária a uma secreção involuntária (eca) e diz que dentro de cada escritor vive um diabinho que fala a todo momento, sem se importar com as férias de seu médium. Um dos melhores parágrafos: "O escritor conserva, onde quer que esteja, sua natureza de escritor; e mesmo quando está em férias, o diabinho não cessa. É-se escritor assim como Luis XIV era rei, mesmo quando sentado na privada.
Nunca vi ninguém descrever tão bem a criatividade hiperativa dos escritores, e passo a concordar com Barthes: Escrever é dom e maldição e a imagem do pobre "escritor em férias" não é nada mais do que uma destas mistificações astutas que a alta sociedade tece para contolar seus escritores, visto que não é verdade!!
É complicado, mas eu me entendo.... e provavelmente seja melhor eu largar o livro por uns tempos... estou enxergando mitos em tudo que vejo!
texto escrito ao som de: "diamond dogs - beck"
Da série: "e a bisnaga chega ao ápice...: frase dos futuros comunicadores sociais do Brasil"
"hoje a minha colega do cofrinho tava mostrando o cofrinho de novo...ela mostra seu belo cofrinho esporadicamente."
Frase proferida por George Carvalho, as 00:05 de 28/09/2005; referindo-se ao cofrinho charmoso de uma colega na disciplina de Perspectiva ético antropológica. (agora pergunta pra ele sobre o dualismo psicofísico...)
Questionário auto-aplicável
Tem um programa no canal a cabo HBO que eu não tolero perder. Chama-se ¿Inside Actors Studio¿ e é semelhante a um talk-show com atores, atrizes e diretoria famosa. Só que a platéia é de estudantes da sétima arte, o que torna o papo bem direcionado e divertido para cinemaníacos. E tem uma parte final desse programa que eu amo: a hora do questionário.
É como se aquele caderno de enquete que as meninas faziam na escola tivesse uma versão para Hollywood. O questionário é feito pelo apresentador do ¿Inside Actors Studio¿ à celebridade entrevistada. Diz o homem que as perguntas foram criadas por um certo Bernard Pivot. Não sei quem foi o cidadão nem porque ele teve essa idéia de garotinha escolar, mas adoro o questionário.
O problema é que, muito provavelmente, eu nunca vou conseguir ser atriz de alto gabarito nem diretora com cacife. Portanto, não vou ser entrevistada no ¿Inside Actors Studio¿. Mas, ora, eu tenho um site! E um site onde o delírio é permitido! Então, decidi me ¿auto-entrevistar¿ com o questionário de Bernard Pivot. Confesso que isso dá uma certa emoção... Diz: eu pareceria legal sendo sabatinada no programa?
Qual sua palavra preferida?
Encantador. Bolota. Jujuba. Adoro todas, principalmente se eu conseguir usá-las juntas numa mesma frase.
Qual palavra você odeia?
Crise. Inclusive também odeio tudo sobre ela ¿ odeio estar em crise, falar da crise, resolver uma crise ou mesmo repetir crise um monte de vezes. Droga.
O que te estimula emocionalmente, criativamente e espiritualmente?
Gente tão inteligente quanto engraçada.
E o que te põe para baixo?
Gente que gosta de se fazer de vítima. Tenho ganas de dar um soco bem dado nos dentes de quem faz isso.
Barulho predileto?
São tantos... Ondas no mar, cebola fritando e a voz do Nasi cantando ¿Bebendo Vinho¿ são alguns.
Barulho que detesta?
São tantos... Criança gritando por birra, serra de construção e a voz do Nasi cantando ¿Entre Seus Rins¿.
Palavrão que mais usa?
Caralho. E essa, se não me engano, é a primeira vez que alguém escreve uma coisa tão feia nesse blogger simpático. Vou ser demitida?
Se não tivesse a sua profissão, qual queria ter?
Operadora de câmera de cinema ou operadora de rádio do interior que toca ¿Talismã¿, de Leandro e Leonardo, para levar um pouco da minha cultura ¿musiquística¿ pra eles.
Se o paraíso existe, o que gostaria de ouvir de Deus quando chegar lá?
Ele me diria: ¿Seus amigos estão te esperando na piscina, filhota! Munidos de jujubas encantadoras em formato de bolota!¿
Estava olhando os posts antigos do blog e me assuste, portanto, IGNORE-OS... por que se eu pudesse, os apagaria.... : /
adeus (campanha pela banalização do adeus- "por que é bem dificil usar esta palavra no dia a dia")
Confissões de uma viciada em jogos...
Valete, dama, rei
São 52 pedacinhos uniformes de papel. Alguns, mais elegantes e de matéria plástica. Outros, meio podrões, mas igualmente divertidos - isto é, se utilizados para as brincadeiras corretas e não para sessões intermináveis de buraco.
Como já disse por aqui, adoro jogos, de Scotland Yard a pescaria de festa junina. E muitos anos passando férias escolares na praia deram nisso: uma admiração especial por baralho. Afinal, não é todo dia do verão que faz sol.
Além do mais, o conjuntinho de cartas é portátil, barato e se desmembra em dezenas de embates para lá de divertidos. Depois de uns 15 anos de experiência no assunto (minha amiga Joana jogava rouba-monte comigo desde a mais tenra infância), cheguei a uma lista com os cinco mais-mais. Compre uma carta e siga os escolhidos aí embaixo!
Tapa
É infame? É, não vou mentir para você. Mas a simplória brincadeira que consiste em dividir o baralho (fechado, claro) entre um grupo que pode ir de três a um zilhão de manés, cantar a seqüência das cartas ao mesmo tempo em que se viram as ditas e, ao virar uma carta que coincide com a chamada, bater a mão sobre o monte sempre me alegrou, desde pequena. É, eu sei. Eu me divirto com pouco.
Pôquer
Sempre achei o pôquer uma espécie de truco mais elaborado. Ou o truco uma espécie de pôquer mais simples. Enfim. O fato é que adoro fingir que estou jogando naquelas mesas esfumaçadas, com lâmpadas penduradas sobre as cabeças dos jogadores. E a cada feijão ou milho (jogo pôquer, mas sou do subúrbio, pô! Além disso, fui proibida de jogar a dinheiro...) que eu coloco na mesa à guisa de aposta, finjo que estou pondo na roda a minha própria casa. Demais.
Desconfio
Em alguns lugares, essa competição de blefes é chamado de duvido. Cada jogador recebe 11 ou 13 cartas e as coloca na mesa viradas para baixo, anunciando o que está descartando. Como o descarte é fechado, o infiel pode estar falando sério ou inventando. Cabe aos outros participantes desafiá-lo, dizendo (ou gritando, para dar mais emoção) "desconfio!" se acharem que as 12 damas cantadas pelo cidadão não estão ali¿
Jogo do Palavrão
Um amigo me ensinou essa. É uma mistura de tapa com uma enxurrada de impropérios, extremamente divertida e contra-indicada se houver crianças ou senhoras mais pudicas na sala, como a sua avó ou a tia solteirona da família (toda família tem uma). Cada integrante escolhe um palavrão bem cabeludo e divide o baralho disponível, que permanece fechado. Quando duas pessoas na mesa viram a mesma carta, uma tem de falar o palavrão da outra. Quem xingar primeiro ganha. Eu juro que jogar é bem mais legal que descrever.
Mexe-mexe
Apesar do nome altamente suspeito, esse jogo não inclui nada de baixo calão e pode ser descrito nesse horário. Basicamente, o mexe-mexe é uma espécie de buraco, mas sem morto, o que já soma pontos no quesito "é um jogo legal". Além disso, todo mundo pode mexer nas seqüências ou lavadeiras de todo mundo - o que torna as partidas mais rápidas e poderia também fazer com que a brincadeira se chamasse "ninguém é de ninguém". Mas aí não daria para chamar sua avó nem a tia solteirona para jogar¿
Slogans da vida real
Eu nunca pensei em ser publicitária, pelo menos não seriamante. E olha que eu já pensei seriamente em ser muitas coisas, como astronauta, arqueóloga, mestre-cuca, agricultora e por aí vai. Acabei escolhendo virar jornalista, o que é uma pena... Mas nem tanto. Enfim, isso não vem ao caso agora. O fato é que, se eu resolvesse assinalar Publicidade e Propaganda em vez de Jornalismo na ficha de inscrição do vestibular, poderia criar alguns dos slogans mais sinceros que o mundo já viu ¿ especialmente se a clientela da agência fosse composta pelas chamadas "publicações femininas".
Teria perdido o emprego na primeira semana? Teria, não vou mentir para você. Já que seria assim, melhor me conformar com a carreira escolhida e expor para os leitores, com exclusividade, minhas propostas de slogans alternativos para algumas dessas famigeradas revistas.
Nova: a revista da mulher que dá
Toda, estou dizendo TODA, capa da Nova tem uma chamada sobre sexo. Se a palavra puder vir grafada em cor forte e destaque, melhor. Isso sem contar os sensacionais "relatórios lacrados". A revista inteira vem embrulhada em plástico; para quê gastar um adesivo para lacrar o encarte, por Deus?! Acho que é para dar mais emoção às leitoras, que têm de rasgar um selo para descobrir respostas às mais cabeludas perguntas sobre aquele ato que começa com a história das abelhinhas e das flores.
Capricho: a revista da mulher (mas nem tanto) que quer dar, mas está esperando o príncipe encantado
Eu já quis ser assinante da Capricho, quando contava cerca de 14 primaveras. A revista tem um dos conteúdos mais afinados com seu público-alvo que eu já vi. Claro que, depois de um tempo, você se vê fora da mira. Daí, ler a publicação é uma das coisas mais divertidas que se pode fazer. Sempre tem lugar para uma matéria sobre o ato das abelhinhas, mas aqui o enfoque é "como saber se ele é o cara certo" ou "qual a hora certa para transar?" ¿ e isso não se refere à manhã, tarde ou noite.
Claudia: a revista da mulher que já deu, mas prefere decorar
Aparentemente, as senhôuras que lêem Claudia eventualmente estão interessadas em novas posições para a prática de sexo tântrico ou algo do tipo, mas preocupam-se mais com as cores da estação, com as luminárias de um designer que está em alta, com culinária sofisticada ("mas facílima de fazer!") e com dicas para educar as crianças - não sei porque, já que elas também parecem ter dinheiro para pagar 814 reais numa saia da Daslu, e se alguém tem dinheiro para isso só pode ser porque não tem filhos.
Marie Claire: a revista da mulher que dá, trabalha, cuida da casa, viaja e ainda se preocupa com o mundo
Acho que a Marie Claire é a publicação do gênero com mais reportagens, entrevistas e matérias interessantes. Mas tem seu lado fofoqueira e o expoente máximo disso é a deliciosa, apimentada e crocante seção "Eu Leitora" (coincidentemente, a que eu mais gosto). Ali, uma moçoila que acompanha a revista conta uma experiência de vida marcante, sob títulos tão diversos quanto "Roubei o namorado da minha filha", "Venci a luta contra o câncer" ou "Perdi meu marido para outro homem". E eu adoro.
Ana Maria e genéricos: a revista da mulher que... o que é isso mesmo?
Esse é o tipo de publicação que a tua vizinha fofoqueira assina! As chamadas de capa tratam os personagens das novelas como se fossem de verdade e estampam frases do tipo "Malu Mader se separa de Marcos Palmeira" ou "Deborah Secco entre a vida e a morte". As páginas que não tratam dos folhetins do momento se dividem entre horóscopo, receitas de comidas (quase sempre com pão de sanduíche entre os ingredientes, sei lá porque) ou remédios caseiros - e, pasmem!, algumas ainda trazem simpatias. Sexo? Pelo jeito, disso a tua vizinha fofoqueira nem tá mais lembrada... Pena.
