A Frete
Cansada de sofrer com as mazelas de ter um blog hospedado neste maldito servidor, tomei uma resolução que já houvera sido por demais postergada. O Blogger BR já levou-me textos e template, mas não levará minha dignidade!
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Deixa eu ir que a kombi já está parada aqui na frente para levar as coisas. Porque que se preste, tem que ter Kombi!
Nem queria mesmo...>
Com a cerimônia do Globo de Ouro cancelada e a festa do Oscar perigando não acontecer, uma adoradora do auê de premiações de cinema como eu pode ficar altamente deprimida nesta época do ano. Mas ao invés de ir chorar na cama que é lugar quente, eu resolvi lembrar - e enumerar - alguns pontos fracos dos eventos, assim quem sabe a depressão passa... E como eu sei que tem muita gente aí que compartilha desse meu vício anual e que deve estar carente de tapete vermelho, achei por bem dividir.
Não teve Globo de Ouro? Não vai ter Oscar? Tudo bem. Assim, pelo menos, a gente fica livre de...
... ouvir pela milionésima vez Ryan Seacrest perguntar "quem você está vestindo?" e a resposta "um Dior vintage".
... ver a Cate Blanchett deslumbrante flutuar pelo local e pensar que nem se você nascesse 1000 vezes teria aquela classe.
... ouvir piadinhas sem graça do chato do apresentador.
... ver aquela parte das celebridades mortas no ano que se passou e pensar "pô, como assim o Pavarotti morreu?".
... ver o Jonny Depp com roupa de bêbado (e pensar como você acha aquilo um dos homens mais lindos sobre este planeta).
... ver o sorriso amarelo e as palmas sem vontade das atrizes que acabaram de perder a estatueta.
... ouvir uma apresentadora falsa babando ovo sobre a roupa de uma estrela e, no dia seguinte, ver a mesma estrela na lista das piores vestidas.
... ver o seu filme favorito não levar o prêmio principal.
... aguentar os musicais.
... sentir vergonha quando algum premiado é forçado a terminar o discurso.
... ver a Nicole Kidman usando um longo tão pálido quanto ela.
Cientificamente chatos
Antes de mais nada, quero deixar bem claro que respeito e admiro a classe científica. Se não fossem essas pessoas resolverem dedicar a vida às matérias escolares das quais eu mais fugia, hoje não teríamos avançado tanto. Sem a ciência, a gente ainda acreditaria que a Terra é quadrada. Sem a ciência, o programa do Ratinho precisaria arrumar outra coisa para botar no quadro "teste de DNA" -- porque não poderíamos mapear o material genético que vive em todos nós. Mas preciso confessar que peguei um pouco de birra. Cientista pode ser o maior estraga-prazer da paróquia. Pronto, falei.
Basta vir alguém com uma filmagem nova do Pé-Grande, tremida e embaçada, para algum cientista se pronunciar dizendo que tal material é falso, que o Pé-Grande é na verdade um homem vestido com uma fantasia daquelas bem toscas, que é impossível haver um mamífero tão grande que não deixa rastros, etc. Ou seja, o papel do cientista é jogar areia na imaginação dos outros. Puxa vida, que mal há em acreditar na existência de um animal fantástico? Como diria Fox Mulder, "I want to believe". Pena que eles não deixam.
Cientistas gastaram a maior grana para provar de uma vez por todas que o monstro do Lago Ness não existe. Pra quê, eu pergunto. Tão legal pensar que naquele lagão gelado da Escócia mora um parente dos dinossauros que de vez em quando vem à superfície! Tudo bem que em sua fotografia mais famosa, Nessie, como é carinhosamente chamada a criatura, realmente parece mais um braço de alguém saindo da banheira. Mas juro que se foçarmos bem a vista, e olharmos com uma certa distância, até chega a lembrar um bicho pescoçudo.
Sempre que alguém resolve contar uma história de abdução por alienígenas, ou de discos voadores, quem aparece para desmentir? Eles, os cientistas. Todo OVNI é balão metereológico e toda abdução é cachaça. Acho que o santo protetor da classe deve ser São Tomé, aquele do "só acredito vendo". O que precisa para que a ciência aceite outras formas de vida no universo? Aparecer um homenzinho verde na porta de um representante e convidá-lo para uma cerveja no bar da esquina? Deve ser. E enquanto isso não acontece, eles vão negando tudo "à luz da ciência".
Eu até entendo. Alguém tem mesmo que manter os pés no chão e olhar o mundo com imparcialidade, tentando provar ou desaprovar fenômenos. Mas acho também que nós não podemos perder a possibilidade de sonhar, de imaginar, de criar. Já pensou se no Egito Antigo existisse um cientista para falar que aquele negócio de deuses e imortalidade da alma não existe? Não teríamos pirâmides. Ou se um cientista vivesse com nossos índios, podando todas aquelas lendas lindas, dizendo que é cientificamente impossível um boto virar gente à noite? Coisa mais irritante!
A última grande notícia que eu me lembro é que os cientistas resolveram que Plutão não é mais planeta. Isso mesmo! Tudo o que você aprendeu no banco da escola sobre o sistema solar estava errado. Sabe aquela maquete usando bolinhas de isopor e arame que você fez tão caprichosamente na 5a. B? Errada. Porque o coitado do Plutão foi expulso da festa. Barrado no baile. O sistema solar foi na balada e Plutão não tinha identidade, ficou do lado de fora. Agora vai botar isso na cabeça de pessoas como nós, criadas com a certeza de que existem nove planetas. O tal "Minha Velha Traga Meu Jantar, Sopa, Uva, Nozes, Pão". O pão dançou.
Qual será a próxima bomba do meio científico para desestabilizar o que sabemos? Eu tenho algumas sugestões: estudos comprovam que Marilyn Monroe era homem; cigarro é saudável; assistir televisão de perto faz bem pra vista; água tem cheiro, cor e gosto, aquilo que a gente tomava era outra coisa; o homem não veio do macaco, veio da salamandra; Brasil não é mais um país, agora Brasil é continente; o que a gente achava ser cachorro na verdade é gato, e o que a gente achava ser gato na verdade é passarinho; o sol é frio, quente é a lua; Fanta Uva é feita com puro suco da fruta; existe comida azul.
Eu sinceramente tenho medo do passo seguinte que a ciência vai dar. Vamos fazer o seguinte então: se vocês, cientistas, descobrirem mais um fato desse calibre, não espalhem a novidade -- guardem-na para si. Da minha parte, prometo que da próxima ver em que eu ver o Pé-Grande também fico quietinha.
Por que eu não escrevo mais?
Por que?
Por que?
Muito filosófico isso. Quase metafísico.
Prometo pensar no assunto e dar uma explicação física, tangível no meu próximo post.
Por hora, vou ali tomar café.
Hoje não tem texto
Hoje não tem texto porque o meu computador foi seqüestrado por uma gangue de anões amigos do alheio. Como eu sei que era uma gangue de anões? Bem, eles deixaram um bilhete de resgate pedindo cinqüenta barras de nutri banana e assinaram como "GAAA - Gangue dos Anões Amigos do Alheio". Ainda estou tentando angariar os nutris. E a polícia não aceita minha queixa.
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu estava caminhando pelas ruas do bairro quando vi um forte foco de luz, em plena manhã, e no minuto seguinte estava cercada de homenzinhos cinzas com grandes olhos, que me colocaram em uma maca e implantaram alguma coisa na minha nuca. Agora, sempre que tento escrever, levo choques de 152 volts. GWARGH! Olhaí, de novo...
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu tive um problema de saúde meio desagradável. As pontas dos meus dedos caíram porque uma mulher desavisada derramou fanta uva neles, enquanto eu tomava café com broinha de milho no balcão da padaria e dizia a ela que fanta uva mata. Acho que foi de propósito.
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu tive coisas muito importantes a fazer, como depilar minha perna com pinça e tentar mover objetos com a força do pensamento. Talvez eu devesse ter começado a tentar com um travesseiro, em vez da cristaleira. Até porque deu certo, mas só por alguns segundos, e agora o chão está cheio de cacos de porcelana e cristal.
Mentira.
Hoje não tem texto porque minha amiga me ligou para ir buscá-la na rodoviária, mas eu estava cuidando de três crianças e tive que enfiar os pirralhos no carro para tentar chegar ao centro da cidade. Só que deu tudo errado no caminho e nós fomos parar em um bar num lugar meio barra-pesada. Não nos deixaram sair de lá até cantarmos um blues.
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu estou muito ocupada desenvolvendo uma nova dieta milagrosa ou uma receita de auto-ajuda que me permita publicar um best-seller, dar entrevistas em programas vespertinos, ser reconhecida por gordinhos e deprimidos (ou por gordinhos deprimidos) na rua e viver de renda pelo resto dos meus dias.
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu pirei, me mudei para a roça e agora passo os dias cultivando minha própria comida, mascando fumo e olhando o sol se por. Isso, claro, quando não estou ordenhando a Madeleine Peyroux, minha vaquinha de estimação, ou limpando as minhas botas Sete Léguas.
Mentira.
Hoje não tem texto porque ontem eu decidi cair na vida, dancei a noite toda, aceitei bebidas de estranhos e acordei na sarjeta da Teodoro Sampaio, coberta por folhas de papelão abertas, ao lado de um tiozinho carroceiro que insistia em me chamar de Tânia Helena e me oferecer pinga de garrafa PET. Recompus-me rapidamente e me mandei, não sem antes agradecer pelo trago, mas agora minha cabeça está estourando e acho que não será possível escrever.
Mentira.
Hoje não tem texto porque eu estava a fim de ver quantas desculpas esdrúxulas eu seria capaz de arrumar caso não tivesse texto mesmo.
Mentira. Como você pode ver, hoje tem texto.
(Mas, se um dia não tiver, não hesitarei em lançar mão de alguma destas desculpas).
eis o post que o blogger engoliu... se ele continuar com essa bobagem, cedo à pressão e me mudo para o blogspot :( *Gilberto e Gabi dando pulinhos de alegria*
Histórias de hamsters
Freitas era um hamster de respeito. (Também, com esse nome, não tinha como). Morava na casa do Franco e era muito cumpridor de seus deveres, que consistiam basicamente em andar naquela rodinha de hamster e comer aquela comidinha de hamster. O Franco, dono do Freitas, trabalhava comigo e morava com um colega de hábitos pouco ortodoxos, especialmente no tocante ao hamster.
Mas não vá pensar bobagens. O colega de quarto do Franco apenas gostava de deixar o Freitas se exercitando muito. E "muito", para um hamster, não é um bom advérbio. De tanto correr naquela roda, o Freitas encontrou um triste fim. Teve um ataque cardíaco e morreu, deixando um dono inconsolável a dormir fungando ao lado de um colega sem noção - que naquela noite dormiu muito bem, obrigada, porque é assim que as pessoas sem noção dormem todas as noites, sem exceção.
* * * * * *
A Débora, minha colega de classe no colégio, era aquele tipo meio cômico e também tinha uma história de hamster. Esta remontava à infância, quando os pais dela deram um ratinho desses aí para ela e outro pro irmão, o Eduardo. Ávidos por entender melhor como um hamster funcionava, eles resolveram botar os bichos à prova.
Eduardo foi o primeiro. Enfiou o roedor no cano do aspirador (com a máquina desligada, claro). Tampou dos dois lados. Sacudiu, sacudiu, sacudiu e plof! Soltou o hamster, que saiu inteiro e vivinho da silva, saracoteando para lá e para cá como se nada tivesse ocorrido.
Empolgada, a Débora resolveu testar o dela também. Sacudiu, sacudiu, sacudiu e plof! Soltou o hamster, que saiu... com uma pata quebrada, um olho furado, dente faltando.
* * * * * *
O Rodrigo, irmão do Douglas, costumava acompanhar a mãe deles quando ela ia fazer unhas nas casas da vizinhança. Manicure de mão cheia, a dona Olga estava visitando uma cliente pela primeira vez. Deixou o filhote no quintal, brincando com a filha da manicurada. Lá repousavam, plácidos, uma piscininha de plástico e dois hamsters.
Com toda a curiosidade científica que acompanha os infantes, o Rodrigo olhou para um hamster, olhou para a piscininha, olhou para o outro hamster e levou menos de um nanossegundo para ter a brilhante idéia de promover uma competição de natação entre os roedores.
Botou os dois na piscina e, embora eles afundassem no mesmo instante, continuou aferroado à esperança de que uma hora eles fossem nadar. Esperou. Esperou. Esperou. Os hamsters morreram afogados. E a Olga quase morreu de vergonha.
* * * * * *
Bizarro era o hamster da minha amiga Cristine. E por "Bizarro" entenda-se um substantivo próprio, não um adjetivo. É. Bizarro era o nome dele.
A Cris comprou o Bizarro numa caixinha de acrílico. Depois, providenciou uma portentosa mansão de hamster para ele, basicamente aquelas gaiolonas com rodas, passagens e outros luxos de hamsters. Mas o Bizarro era muito pequeno - na verdade, ele era um topolino - e passava por entre as grades da sua mansão.
Cris teve, então, de botá-lo de volta na caixinha. Mas vocês sabem como é: uma vez que a gente experimenta o filé, fica duro voltar à mortadela. E o Bizarro não gostou do aperto. Ele se irritava com as precárias condições de higiene locais e ficava se batendo contra as paredes da caixa. Até que machucou um dos olhos, que começou a inchar, inchar e... caiu.
Não contente em ficar caolho, o Bizarro - realmente muito irritado, agora não só com as condições da caixinha mas também com o fato de enxergar pela metade - continuou a investir contra seu lar. Até machucar seu outro olho, que inchou, inchou... e caiu também.
Pensando melhor, por "Bizarro" vocês podem entender não só o substantivo, mas o adjetivo também. E sobretudo.
* * * * * *
Moral da história: não quero assustar ninguém, mas pensem bem antes de ter um hamster.
E o mau-humor invade a avenida
"Essa é a Rainha de Bateria da Viradouro, Juliana Paes! Juliana é um dos destaques da noite e promete evoluções inovadoras na passarela".
Humft. Essa aí foi aquela que ficou pelada na Playboy e depois todo mundo viu que ela tinha celulite, né? Agora voltaram a achar a menina gostosa? Gente incoerente. Eu acho que ela tem boca de caçapa. E, se saísse ali na Dom Joaquim, achava umas vinte mocinhas iguais... Ó, nem sambar samba, só sacode esses penachos que nem um pavão bêbado!
* * * * * *
"Aí vão os famosos, chegando para brincar o Carnaval nos camarotes... Ali Rodrigo Santoro com a namorada, mais à frente Regina Duarte com o marido. Daniella Cicarelli chega nesse momento, ela que é a convidada de honra da festa" .
Vê se pode: essa gente faz de tudo pra aparecer. O Santoro tá com cara de saco mais cheio que Papai Noel com caxumba descida; Regina Duarte parece gostar tanto de Carnaval quanto de encontrar duas aranhas dentro da sua meia-calça. E essa Cicarelli? Dizem que ela "se reinventa e volta à fama"... Deu pro moço na praia! Isso não é reinventar nada, pô, é só sacanagem mesmo!
* * * * * *
"Beth Carvalho chora. Ao que parece, desavenças com a diretoria da escola de samba Mangueira tiraram a cantora do carro alegórico mais importante, o da Velha Guarda".
Quem mandou ser chata com fãs e imprensa por cinqüenta anos? Tome.
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"Um problema aqui na concentração do desfile da Império Serrano! Um homem quer entrar para desfilar mas está sem parte da fantasia e aparentemente alterado! Ele briga com os policiais e seguranças... E aquela moça ali parece ser da família, vamos falar com ela:
- "Ele faz parte da escola, ele vai desfilar?"
- "Ele é meu irmão, moço, ele vai desfilar sim, tá no lugar do meu marido que passou mal! E ele não tá bêbado, eu juro!"
Tá bêbado, não. Ele só deve ter virado sete caipirinhas de kiwi com álcool combustível... Ó a situação do cara, quer bater no policial e cai pra cima das passistas! Eu digo, esse negócio de Carnaval só dá manguaça.
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"Flash do Carnaval de Salvador! A folia aqui não tem hora pra acabar! Ivete Sangalo acaba de trocar a fantasia e agora vem com um maiô que levanta a galera e faz todo mundo pular! É a Rede Globo, Carnaval 2007!"
Se eu fosse repórter nessa época do ano, mastigava minha própria perna só pra não ter que cobrir essa zorra de Carnaval. Coitada da menina, estão arrancando o microfone dela com tapas! Ui! Pronto, agora passaram a mão na pobre. Talvez tenham levado a carteira também, que aquele playboy de abadá ali atrás tinha uma cara de bandido...
* * * * * *
"Esta porta-bandeira é a Giovana, filha da Dona Nininha e do Seo Dodó, fundadores da escola. A Giovana ensaiou a vida toda com gente do calibre de Antenor Maia e Solange, daí o samba sempre no pé".
Mas, hein?
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"Agora um giro carnavalesco por Bahia, Recife, Olinda, na Sapucaí e pelos blocos que estão começando a sair em São Paulo!"
Pelo amor de Momo, só falam nisso. Eu é que vou dar um giro aqui nos canais e... pronto, vou ver Celebrity Poker Showdown e depois voltar na reprise de "Horror em Amityville". Taí, isso é que é Carnaval. Em quesito mau-humor e despeito, sou 10, nota 10!
Coisas que você não precisava saber.
Dizem que se a gente quebra os memes, um coelho gigante nos ataca....
Parece que preciso escrever aqui as seis coisas que ninguém (quer) sabe(r) sobre mim. Quer dizer, a Gabi que disse.
Na verdade depois a Dani disse a mesma coisa e achou melhor me desalmadiçoar porque não pode amaldiçoar a mesma pessoa duas vezes que senão, não sei, um coelho gigante ataca ela primeiro. No avião, quando ela estiver indo pra terra de estranhas lógicas.
Anyway... lá vai
1 . Quando eu, muito pequerrucha, assistia aquele Batman e Robin que tinha SOC, POW e etc eu sempre torcia pros bandidos.
2 . Eu nunca entendi a fórmula de Baskara e eu tinha impulsos assassinos todas as vezes que algum colega e/ou professor dizia "usa Baskara, usa Baskara, usa Baskara". Ah! Vá tomar no...
3 . Quando eu tinha 5 anos eu sabia voar, e era legal; voar.
4 . Sempre quis ir pro mundo da Barbie, mas a minha Barbie era uma idiota e nunca me contou como chegar lá.
5 . Eu era goleira no handball porque eu não conseguia correr e bater aquela bola estúpida, ao mesmo tempo.
6 . Pareço um Ewok, dançando.
(Droga, não encontro imagens de ewoks dançando.)
Um 2007 supimpa pra vc
Estou entrando em recesso de fim de ano. É a hora de colocar na cabeça os novos planos. No meu caso, já que o plano B falhou, estabelecer o C, o D e quem sabe o E.
O importante é sempre ter planos, não é mesmo? Acabando o abecedário, posso usar aramaico antigo, números romanos, línguas mortas. Tudo para continuar planejando e sonhando com algo melhor, que é o que nos impulsiona para frente.
E esse é o meu desejo para 2007. Espero que você também continue sonhando, planejando, esperando. Ainda que as coisas não saiam exatamente da maneira que você desejava, o sonho ninguém poderá tirar de você.
Sonhe novas coisas. Faça novos planos e torne a sonhá-los. Acredite. Sonhe mais e sonhe melhor. Sonhe alto, sem economias, pudores ou barreiras.
Sonhar só o realizável é para os mesquinhos e medíocres.
Que 2007 seja do tamanho dos seus sonhos e, ainda que nenhum se realize, sejam belos, divertidos, importantes e dignos. Assim como eu e você.
Inspirado em "A Eterna Espera", post da Gabi (ius communicatio) que me deixou pensando em tudo que esperei em 2006.
Textinho torto e desengonçado
Era uma vez um textinho torto e desengonçado. Ele morava junto com milhares de textos divertidos, criativos e empolgantes, o que fazia com que se sentisse mais torto e mais desengonçado ainda. Os outros sabiam como eram superiores em comparação a ele. "Eu tenho um título comprido e genial", dizia um. "Eu termino com uma frase impactante", dizia outro. E todos caçoavam e apontavam o dedo para o textinho torto e desengonçado, que se punha a chorar letrinhas em um canto escuro da casa preta e vermelha.
E o choro tinha razão de ser.
Para começar, o textinho torto e desengonçado era sobre coisa nenhuma. Não tinha assunto, não tinha gancho, não tinha absolutamente nada. Não era sobre uma grande história de amor; não era sobre algo emocionante; não narrava uma aventura cheia de perigos ou um mundo de faz-de-conta repleto de criaturas fantásticas; não guardava uma grande lição de vida; não tentava mudar o mundo ou, pelo menos, não tentava alegrar o dia de alguém procurando por uma leitura. Ele era vazio.
Mais que vazio de conteúdo: vazio de sentimento, o que chega a ser pior. O textinho torto e desengonçado não era engraçado. Não havia uma grande piada, nem uma tirada de gênio, nem um momento que conseguisse arrancar uma gargalhada de qualquer pessoa que seja. Mas ele também não era triste. Pelo menos, não como os grandes textos são tristes. Porque arrancar choro de pena qualquer um consegue. Mas arrancar choro de sentimento, de pura identificação com o sofrer alheio, isso ele não conseguia.
Nem personagens o textinho torto e desengonçado tinha. E não foi por falta de procura... Ele tentou chamar algumas pessoas literárias para protagonizarem suas histórias. Mas como ele tampouco tinha histórias, acabou ficando sem ninguém. E assim o textinho torto e desengonçado permaneceu, sem um núcleo, um motivo, um propósito. Sem uma figura que puxasse histórias, opiniões, vivências, lembranças, que puxasse outras figuras e que fizesse com que quem está do outro lado, lendo, também pudesse puxar histórias, opiniões, vivências e lembranças.
Como vocês pode ver, o textinho torto e desengonçado era confuso, muito confuso. E carregava erros de concordância, fato que pode ser comprovado no início deste parágrafo. Ele também não sabia usar crase; colocava vírgulas, nos lugares mais inapropriados (viram só?); escrevia "excessão" e "húmido" e sempre parava para pensar se o correto era "vizual" ou "visual". Ah, e ele costumava colocar o verbo haver no plural quando o sentido era o mesmo do verbo existir. Como se não bastasse, ele ainds se confundua na hora da digitaca~o.
No textinho torto e desengonçado não havia espaço para palavras belas, sonoras, complicadas, aquelas palavras lindas e cheias sonoridade que só a língua portuguesa consegue ter. Mas tinha espaço de sobra para gírias horríveis de muitos anos atrás. O textinho torto e desengonçado gostava, por exemplo, de dizer que alguma "é o bicho". Ou "é dez". Ou "é maneiro, é chocante". Ele falava "birinaites", "carango" e "azaração". O textinho torto e desengonçado vivia completamente fora da nova era e nem tinha página no Orkut.
O textinho torto e desengonçado era sempre o último a ser chamado na escolha dos times. Sabe, na escola, quando eles fazem a escolha de times para a aula de Educação Física? Pode ser futebol, handebol, voleibol, basquete. Então, ele ficava sempre por último. Ele e a menina manca de óculos fundo de garrafa (mas ela era escolhida primeiro). E ainda diziam que ele era café-com-leite, expressão usada para denominar alguém que merece ser poupado - o que não impedia do coitado sair massacrado e cheio de hematomas do jogo de queimada. Queimada é aquele jogo onde a pessoa tenta acertar outra com a bola.
Repararam como, além de tudo, o textinho torto e desengonçado só enchia lingüiça com informações óbvias? Como se ninguém fosse reparar que ele, mesmo após oito parágrafos, continuava completamente dispensável.
Por essas e por outras o textinho torto e desengonçado achava que jamais sairia do limbo e permaneceria desconhecido. Mas um belo dia, para sua total surpresa, ele foi publicado. E uma porção de gente leu.
No final, o textinho torto e desengonçado viveu feliz para sempre.
